não é cansaço, mesmo tendo dormido às três e acordado às nove. não é tristeza, mesmo tendo assistido às várias e sempre surpreendentes formas da miséria humana todos os dias. não é raiva, mesmo percebendo que o mundo chafurda cada vez mais em sua própria arrogância e esquizofrenia. é exatamente este o problema; não é nada disso que sinto, é um suspiro permanente que me arrepia a espinha, que me faz vislumbrar a face do conformismo e me larga consternada, mas então eu escuto cazuza... felizmente o homem apostou na música como um meio de disseminação cultural, senão agora eu estaria encrencada.
ando tão confusa, são duas pessoas que vivem dentro de mim. uma quer uma casa, um amor, filhos, e ser aquela que apóia, ajuda e contempla feliz o crescimento das pessoas à sua volta, sabendo que fez o melhor que pôde. a outra quer o mundo, a briga, a luta. quer o dia-a-dia inesperado e caótico de quem constrói e modifica, de quem lidera e tenta sempre aplicar e ensinar aquilo que acredita. sonho em um dia unir essas duas, torná-las amigas inseparáveis. por enquanto elas brigam, não conseguindo partilhar meu coração, cada qual quer pra si ele inteiro, mas eu não desisto de teimar, um dia, numa curva da estrada, vou descobrir uma maneira de uni-las. por enquanto eu vou com elas, aprendendo a conhecê-las e amá-las.
Um comentário:
Bom, já sabes que tem que uni-las. Nunca desista disso!
Amo-te!
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